Onze pessoas são presas durante operação contra grupo que vendia drogas para clientes de alto poder aquisitivo na Bahia
Tráfico de drogas de luxo movimentou R$ 9,6 milhões Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, que investiga uma rede de ...
Tráfico de drogas de luxo movimentou R$ 9,6 milhões Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, que investiga uma rede de tráfico de drogas voltada para consumidores de alto poder aquisitivo na Bahia. Um 12º investigado já estava preso no sistema prisional de Sergipe e teve o mandado cumprido na unidade. Ao todo, 12 investigados estão presos. Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e registradas duas prisões em flagrante durante a operação. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados. Carros no nome da avó e contatos no Paraguai: Saiba quem são os 11 presos suspeitos de traficar drogas para clientes de alto padrão Droga vendida para clientes era escondida dentro de creme para cabelo As prisões aconteceram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus e Vitória da Conquista, na Bahia. O mandado contra o investigado que já estava preso foi cumprido em Aracaju, em Sergipe. Entre os presos estão três homens apontados pela investigação como integrantes da chefia do grupo. O principal alvo, Erick Castro Gusmão Seixas, foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Veja abaixo os nomes dos outros investigados presos: Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes; Luan Costa da Silva; Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes; Laisa Franca Lacerda; Matheus Ribeiro Mello do Nascimento; Marcelo Botelho Reis; Tyago de Assis Conceição — já estava preso em Sergipe; Guilherme Rodrigues de Oliveira; Theo Macedo e Dantas; Camila Ingrid Dourado Bezerra; Robson Siqueira Reis. O g1 tenta contato com a defesa dos suspeitos. Segundo a Polícia Civil, ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição dos entorpecentes para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus. A investigação financeira aponta que o suspeito movimentou mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias. Empresas, contas de terceiros e outras pessoas teriam sido utilizadas para movimentar os valores. Drogas eram vendidas pelo Instagram Grupo é investigado por tráfico e lavagem de dinheiro Segundo a investigação, o grupo utilizava redes sociais como principal canal de venda. Os entorpecentes eram anunciados em perfis no Instagram, enquanto os clientes faziam os pedidos por mensagens privadas. Os pagamentos eram realizados principalmente por Pix, e as entregas aconteciam em locais previamente combinados. As drogas eram colocadas em embalagens fechadas e padronizadas, sem identificação do conteúdo, em uma dinâmica semelhante à de serviços convencionais de entrega. Entre os consumidores identificados estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo, segundo a Polícia Civil. Os entorpecentes eram divulgados com nomes comerciais como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. Este último, segundo os investigadores, está relacionado a variedades de cannabis importadas. A investigação aponta que os produtos eram vendidos por valores superiores aos praticados no mercado ilegal convencional e apresentados aos clientes como drogas de maior qualidade. Grupo tinha carros avaliados em mais de R$ 1,1 milhão Operação mira grupo que vendia drogas para clientes de alto poder aquisitivo na Bahia Polícia Civil A investigação também identificou um padrão de vida elevado entre os suspeitos. Segundo a Polícia Civil, eles se apresentavam como empresários, moravam em imóveis de alto padrão e circulavam com veículos de luxo. Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão oito carros e uma motocicleta. A lista inclui Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker, além de uma Honda NXR 160 Bros. Segundo a tabela Fipe, o conjunto de veículos é avaliado em mais de R$ 1,1 milhão. A investigação também identificou o uso de empresas, contas de familiares e terceiros para movimentar e ocultar dinheiro. Além dos veículos, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos ligados aos investigados. Principal investigado movimentou R$ 9,6 milhões A análise financeira realizada pelo Laboratório de Lavagem de Capitais do Departamento de Inteligência Policial (LAB-LD/DIP) identificou mais de 16,6 mil movimentações bancárias relacionadas aos investigados e a pessoas usadas na circulação dos recursos. Segundo a Polícia Civil, um dos principais investigados movimentou mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos. A apuração apontou ainda uma evolução patrimonial considerada incompatível com a renda declarada desse investigado. O patrimônio identificado teria passado de aproximadamente R$ 163 mil, em 2020, para cerca de R$ 2,4 milhões, em 2025. Segundo a investigação, não foram encontradas fontes lícitas capazes de justificar essa evolução. A polícia afirma que pagamentos fracionados, transferências via Pix e utilização de pessoas interpostas faziam parte da estratégia para dificultar a identificação da origem dos recursos. A Justiça determinou o bloqueio de 20 contas bancárias, sendo 15 de pessoas físicas e cinco de empresas. Drogas eram escondidas em potes de cosméticos A investigação identificou também uma estrutura de distribuição para cidades do interior da Bahia. Em Vitória da Conquista, um dos suspeitos apontados como liderança regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição para o município e cidades próximas. Segundo a Polícia Civil, parte dos entorpecentes era escondida em potes de cremes estéticos e enviada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos. Entre as drogas distribuídas estava a chamada ICE, recebida em Salvador e depois redistribuída para cidades do sudoeste baiano. Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, que já era conhecido pelo envolvimento com o comércio de drogas na região, buscava os entorpecentes em Salvador e abastecia o município e cidades vizinhas. Drogas vinham de São Paulo e do Paraguai Segundo a investigação, parte do abastecimento era realizada por um fornecedor localizado em São Paulo, responsável pelo envio de grandes quantidades de drogas para a Bahia e Sergipe. Também foram identificadas informações sobre drogas importadas do Paraguai. De acordo com a polícia, os produtos eram transportados de forma camuflada em meio a itens de beleza. A estrutura funcionava de forma dividida. O fornecedor entregava grandes quantidades ao distribuidor principal, que fazia o repasse para distribuidores regionais. Esses distribuidores, por sua vez, abasteciam os revendedores responsáveis pelas entregas aos consumidores. Além do tráfico de drogas, a investigação aponta que integrantes do grupo também estavam envolvidos com comercialização ilegal de armas. Médico é preso com pistola Durante a operação, foram apreendidas porções de drogas, celulares e documentos. O material será analisado pelos investigadores para tentar identificar novos envolvidos, fornecedores e informações sobre a movimentação financeira do grupo. Uma pistola foi encontrada com um médico investigado, que foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele está entre as duas pessoas presas em flagrante durante a operação. Investigação começou durante outra operação A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Gênesis investigava uma organização criminosa suspeita de envolvimento em crimes violentos. Durante a apuração, os policiais encontraram informações em um perfil de rede social que levaram a uma nova linha de investigação. Segundo a Polícia Civil, o conteúdo indicava que a plataforma era utilizada não apenas para consumo pessoal de drogas, mas também para a comercialização dos entorpecentes e movimentação dos recursos obtidos com as vendas. A partir da análise dos dados, os investigadores identificaram uma estrutura formada por fornecedores, distribuidores, revendedores e pessoas responsáveis pela movimentação financeira. Dinheiro do tráfico abastecia rede maior, diz polícia A investigação também aponta uma conexão entre diferentes níveis do mercado de drogas. Segundo o inquérito, o dinheiro obtido com a venda de entorpecentes para consumidores de alto poder aquisitivo alimentava uma rede criminosa mais ampla, com atuação também em áreas periféricas e relacionada, de acordo com a polícia, ao financiamento de outras atividades criminosas. A Operação Iceberg busca atingir, segundo a Polícia Civil, não apenas os responsáveis pela venda das drogas, mas também a cadeia de abastecimento, os distribuidores e a estrutura financeira utilizada para movimentar e ocultar os recursos. A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e Departamento de Polícia Técnica (DPT). LEIA TAMBÉM: Justiça afasta servidoras de instituição para idosos na Bahia após denúncias de irregularidades na gestão de benefícios Operação mira grupo suspeito de tráfico e homicídios na Bahia; R$ 698 milhões foram movimentados Polícia Federal investiga suspeita de fraude em licitações e bloqueia mais de R$ 13 milhões na Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. 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